quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Coração

Há algum tempo eu escrevi uma história triste que começava com: “Uma lágrima escorreu pelo meu rosto…”. Eu pretendia começar esta postagem exatamente assim, mas isto não será possível, pois não foi uma lágrima que escorreu, foram várias, e foram de alegria.

Todos sabem sobre as desgraças que cairam sobre Santa Catarina, pois bem, sabem também que em todo lugar estão pedindo doações para as pessoas que perderam tudo que possuiam por lá. Nada de mais para pessoas que tem plena consciência e entendimento de mundo, muitos de vocês podem pensar assim, eu também pensava.

Com a proximidade do natal, com a perspectiva de que meu “pequeno” ganhe muitos brinquedos e como o quarto dele é pequeno, resolvemos ajudar a alegrar o natal de algumas crianças que perderam tudo e em contrapartida “aliviar” o quarto do menino.

Começamos a conversar com ele sobre um lugar onde havia chovido muito e que tinha entrado água nas casas das pessoas e que alguns meninos tinham perdido seus brinquedos, perguntamos se poderíamos dar os brinquedos que ele não brinca mais para esses meninos. A primeira resposta foi: “Não, é meu”. Decidimos mostrar a ele o lugar do qual falavamos e fomos procurar na internet vídeos de reportagens sobre o ocorrido em Santa Catarina. Em segundos apareceu uma lista com muitos vídeos, escolhi um e abri para mostrar a ele as casas cheias de água.

Quero fazer um parêntese para me desculpar pela escolha do vídeo, talvez não tenha sido a melhor escolha, era uma reportagem sobre uma senhora que perdeu tudo e quase todos os parentes durante os desbarrancamentos, uma história triste que talvez ainda seja muito complexa para meu menino entender, mas durante a reportagem várias imagens de casas semi-submersas foram mostradas, as quais mostramos como sendo de “meninos que perderam seus brinquedos”. Após o final do vídeo, ele pulou do meu colo, correu para seu quarto, pegou um brinquedo, trouxe para a sala e disse: “Pode dar um, né?”

No dia seguinte fui para o trabalho e minha esposa e meu filho ficaram em casa separando brinquedos para doar. Ao chegar em casa a noite, me mostraram que haviam separado uma sacola de brinquedos e um bicho de pelúcia quase do tamanho do meu filho, que ele adora.

Liguei para 193 (telefone de emergência dos bombeiros, anote para caso precise algum dia) para saber como deviamos proceder para doar o que haviam separado. Fui informado que bastaria entregar as doações em qualquer base do corpo de bombeiros que as doações chegariam a Santa Catarina, há um corpo de bombeiros perto da minha casa, foi para onde decidimos levar os brinquedos.

Pegamos a sacola e o bicho de pelúcia (que meu filho mesmo carregou) e fomos a pé para a base dos bombeiros. Ao chegarmos, fomos prontamente atendidos por um bombeiro que estava de serviço, identificamos a intensão de doar os brinquedos. O bombeiro nos agradeceu e recolheu o que haviamos levado, caminhando por entre as pilhas de doações acumuladas no chão da base, colocou os brinquedos na pilha designada para os brinquedos.

Meu filho acompanhou cada passo do bombeiro, olhando onde ele estava levando “seus” brinquedos que ele derá para o “menino”, andava de um lado para outro melhorando o ponto de vista e o campo de visão, para não perder o bombeiro de vista, vigiando-o, para saber o que o bombeiro faria com os brinquedos.

Quando o bombeiro retornou para perto de nós, pedi ao meu filho que dissesse o que era para ser feito com os brinquedos que haviamos levado, ao que , olhando para o bombeiro disse: “É para dar pro menino que não tem, que a casa encheu de água” (ou algo com esse conteúdo). Então meu filho olha para mim e com a cara mais sorridente me pergunta:

- Papai! Agora o “menino” vai ficar feliz?

Então com as lágrimas teimosas escorrendo pelo meu rosto eu respondi:

- Vai sim filhão, vai sim…

E dei lhe um grande e apertado abraço.

Brenê

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Só pra não passar Agosto em branco…

Esse post é só para não perder o melhor mês do ano, e como ele estava chegando ao fim e não tive nenhuma inspiração, um pingo de criatividade, de capacidade, para escrever algo de útil e inspirador para brindar outras mentes que lêem-me pelo mundo, farei um breve relato do mês apenas para deixá-lo presente no blog.

Neste mês fui vacinado, fiquei doente, recuperei minha magrela, esperei melhorar da saúde, voltei a pedalar, assisti alguns pedaços das olimpíadas, me emocionei com alguns guerreiros (sim alguns atletas brasileiros são guerreiros) que deram tudo que podiam e não ganharam a tão sonhada medalha, levei o filhão na escola, fui buscá-lo de bicicleta, tive um dia dos pais com direito a festinha e tudo mais, fiquei mais velhinho, enfim foi um bom mês.

Espero ter em setembro mais inspiração e tempo para escrever coisas mais profundas, alegres, críticas, engraçadas do que tive neste mês tão corrido que está para terminar.

Um abraço a todos e até a próxima postagem.

Brenê

domingo, 27 de julho de 2008

Malabaristas

Somos um país de malabaristas. Não digo isso no bom sentido. Sim há um bom sentido em ser uma nação de malabaristas. Seríamos aquela nação que faz “das tripas coração” para que tudo aconteça certinho, dentro dos prazos, nos “termos da lei”, mas como disse antes, esse não é o nosso caso.

O nosso caso é ser malandro, esperto, levar vantagem, só obedecer a “lei de Gerson”, isso é o que passamos aos nossos filhos e se não passamos nós mesmos, sempre haverá alguém que se encarregará de fazê-lo. Bom, vamos voltar ao que interessa.

Todos que me conhecem sabem que até a bem pouco tempo atrás eu ia para todo lado da nossa cidade de bicicleta. As coisas mudaram um pouco, e então eu sou mais um, dos que se digladiam, para entrar no metrô lotado; que passa quase 4 horas diárias chacoalhando num ônibus lotado para ir e vir nesta cidade louca.

Nestas “idas e vindas” diárias, comecei a observar algumas coisas que teimam em se repetir e pior a aumentar de número, são os “meninos malabaristas” da cidade de São Paulo. Eles estão em cada farol do meu trajeto. Jogam bolinhas, pedras, varas, tochas, latas e tudo mais que puderem encontrar, com uma maestria profissional, fazem isso para arranjar alguns trocados para sobreviver, para fugir dos pais que abusam deles, para se manterem fora de casa, para conseguir drogas, enfim pelos mais variados motivos.

Vamos imaginar, por apenas um segundo, os produtos que a China, tão em evidência hoje em dia por seus produtos de baixa qualidade, irá exportar dentro de alguns anos. Quanto tempo leva o aprendizado para melhoria dos produtos?

Vamos imaginar qual tipo de avanço tecnológico nos apresentarão os suecos, finlandeses, alemães. Quanto tempo leva a descoberta de novas técnicas, de novos caminhos para achar novas respostas a velhas perguntas?

Vamos imaginar a quantidade de novos estúdios, atores e filmes que os americanos irão lançar e licenciar para o resto do mundo? Quantas marcas e patentes irão requerer neste mesmo período?

Agora vamos imaginar quantos malabaristas serão necessários para o mundo? Qual a necessidade real em se basear todo o ganho futuro de uma nação em treinamento e desenvolvimento de malabaristas?

Está na hora de pensarmos nossos valores e nossas medidas, pois como já dizia um “velho filósofo”, “o que você faz aos 14, 15, 16 anos, certamente vai repetir aos 30 anos de idade”. E como todo investimento tem seu retorno, pensemos:

- Milhões e milhões são “gastos” na educação nos países desenvolvidos, com o retorno de novas tecnologias, novas descobertas, e bilhões em empregos diretos e indiretos.
- Milhões e milhões são “gastos” com a industrialização em países como a China, Índia, com o retorno de bilhões no PIB destes países.
- Milhões e milhões são “gastos” com a indústria cinematográfica, com o retorno de um planeta inteiro pagando “royalties” a ela.
- Nada é “gasto” para criar malabaristas, então como já dizia aquela propaganda famosa, a criação de uma nação de malabaristas “não tem preço”.

Brenê

sábado, 28 de junho de 2008

Pai…

Todo mundo sabe que as palavras proferidas podem cortar como uma espada, mas poucos sabem que as não proferidas cortam duas vezes mais, uma vez em quem não disse e outra vez em quem não ouviu. Sendo assim, aqui vão as minhas, mas vão escritas mesmo que é para durarem para sempre.

Pai saiba com toda certeza do mundo que eu tenho muito orgulho de você. Eu sei de tudo (ou quase tudo) o que você abriu mão ou assumiu, para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje, não só eu, mas meu irmão também.

Agora eu entendo algumas coisas que você me ensinava, pretendo um dia entender todas elas. Espero um dia conseguir ser tão PAI quanto você é para nós.

Lembro quando nós quatro íamos para o quintal de Itu e construíamos móveis para a casa. Como me ensinava a ter paciência para executar algumas tarefas. Na época eu não dei o devido valor, acho que nunca damos, só fui perceber como esses momentos foram importantes para a formação do meu caráter, do meu modo de pensar e de agir, acho que até mesmo com a minha implicância com o mundo do modo que é.

Nunca serei capaz de agradecer o suficiente pelas coisas que você fez por mim e meu irmão, então o mínimo que eu posso fazer é deixar registrado o que você fez e tentar plantar a mesma semente na próxima geração. Espero que você leia estas linhas um dia.

Obrigado pai.

Brenê

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pensamento

A carinha sorridente mostra a inocência. O modo de andar descontraído mostra a perfeição do “não saber”. Quando fala imitando nossos gestos, apresenta a incrível inteligência que tem. Imitando gestos expõe o poder de observação que possui.

O aprendizado rápido, com associações malucas, invenções misturadas com fatos reais, a indiferença sobre assuntos “sérios” associadas a uma visão de mundo única, o transformam em um ser humano único e especial.

O brilho nos olhos e a gargalhada “fácil” que dá com as coisas mais “mundanas”, te faz imaginar o que se passa naquela cabecinha.

Sabe do que eu estou falando? Não? Então pense na sua infância, tudo o que puder lembrar. Agora imagine seu pai assistindo a tudo isso. É o que eu estou fazendo agora, assistindo uma infância em desenvolvimento.

Brenê

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quem trabalha para o demônio?

Jovens cabeludos gritam palavras demoníacas enquanto jogam garrafas de bebida vazias nas ruas escuras da cidade, prejuízo de dois salários mínimos, referente ao pagamento de dois garis para limpar a sujeira e alguns milhares de neurônios nas cabeças. Todos são presos em menos de duas horas.

Três jovens tirando “rachas” em avenidas da cidade perdem o controle dos veículos e colidem entre si. Ao colidirem acertam em cheio um outro veículo que transitava, onde uma família de três pessoas voltava para casa, morreram todos no local. Outro carro dos jovens, desgovernado, atropela vinte pessoas em um ponto de ônibus. Os três jovens sobrevivem com arranhões superficiais, graças aos “airbags” de última geração que equipavam os veículos. Prejuízo de sessenta mil reais para cada jovem e vinte e três pessoas a menos no mundo.

Um representante comercial de uma empresa de químicos, tentando aumentar a própria margem de lucro, suborna um funcionário “estatal” para retirar o dinheiro das merendas das creches e escolas públicas e “engordar” as notas fiscais com valores excedentes para dividirem entre si. Prejuízo para vinte mil crianças que passam a ter como merenda água e bolacha de água e sal, além de milhares de reais gastos com saúde, combate a fome, desnutrição, etc.

Um funcionário do alto escalão se deixa subornar e desvia dinheiro destinado às escolas públicas. Prejuízo de milhões de reais para os cofres públicos, e a criação de uma nova geração de crianças e jovens que já tem as oportunidades encolhidas, alvos fáceis para os aliciadores, traficantes, etc.

Empresas constroem edifícios com materiais de “segunda”, gerando desabamentos e mortes. Prejuízo para milhares de vidas, anos de sofrimentos para os sobreviventes e milhares de reais em processos que se arrastam por décadas.

Empresas, que buscam baratear os custos de produção, procuram países com “mão de obra” menos qualificada e abundante para instalar suas linhas de produção. Prejuízo de alguns milhares de trabalhadores de baixa renda sendo explorados e “mortos pelo trabalho”, milhares de crianças tiradas das escolas e inseridas no mercado de trabalho e o surgimento de locais onde se pratica o trabalho escravo e exploração de imigrantes.

O presidente de um país de futuro… Bom pelo menos os jovens adoradores do demônio foram todos presos…

Brenê

sábado, 24 de maio de 2008

Não é saudosismo…

Visitando a minha mãe mês passado, durante um café da manhã, eu vi sobre a mesa uma faca com a inscrição “VASP”.
Minha mãe trabalhou na VASP por um tempo, não sei quanto tempo foi, mas foi o suficiente para que ela ganhasse da empresa passagens para levar nossa família para uma viagem com destino a escolher, dentro do território brasileiro.
Depois de uma conversa com meu pai, eles decidiram que iríamos para Maceió. Marcada a data, arrumamos as bagagens e fomos.
Foi a nossa primeira viagem de avião, dos meus pais inclusive.
Não me lembro da viagem propriamente dita, mas chutando posso dizer que provavelmente ou meu irmão e eu brigamos para sentar na janela ou sentamos cada um em uma janela, pois meus pais deram um jeito disso ocorrer.
Uma coisa que me lembro muito claramente é a praia, a água do mar era cheia de plantas aquáticas (algas), coisa que na época achei muito ruim, mal sabia eu, que um dia iria ter esperanças de que todas as praias fossem assim, vivas!
Outra coisa que me lembro bem é de estarmos em família, passeando, e que a cidade era muito quente, tão quente que o asfalto da rua que separava o hotel da areia da praia, chegava a derreter durante o dia.
A essa altura do texto, você deve estar pensando, o que aconteceu com a faca? Bom eu digo, não me lembro exatamente como ela foi parar na casa da minha mãe, provavelmente eu ou meu irmão, ou os dois juntos arranjamos um “souvenir” no vôo de volta para casa (se pegássemos no vôo de ida e meus pais descobrissem nos fariam devolver no vôo de volta).

Esse “souvenir” fez efeito mais de dez anos depois, graças a um café da manhã, onde usamos a faca “arranjada” no avião, e por fim acabei me lembrando dessa viagem que fez parte da minha infância. Nos dias de hoje o “souvenir” teria durado no máximo dez minutos durante a refeição do vôo, onde a faca descartável provavelmente quebraria ao cortar gelatina.
Como eu disse antes não é saudosismo, é falta de qualidade mesmo!

Brenê

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Lágrimas

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto ao ver tal cena. Tão assombrosa que foi, não consegui parar de olhar. A arrogância das pessoas que passavam e faziam cara feia, a indiferença de alguns, o nojo de outras.

Você deve estar imaginando, o que poderia ser tão horrendo que valesse o trabalho de escrever essas linhas? Porque tal coisa deveria ficar marcada em algum lugar, para ser lida e pensada por outras pessoas? Porque deveríamos nos importar com tal cena? O que podemos fazer para que ela nunca mais ocorra?

Então imagine seu filho com 3 anos de idade (se você não tem filho, imagine como ele será com 3 anos de idade), veja cada mecha de cabelo, as orelhinhas pequeninas, os olhinhos que brilham quando você chega em casa, os dedinhos das mãos e dos pés que ele sempre pede que você "morde bincando", as perninhas tortinhas, o jeito engraçadinho dele correr pra te dar um abraço gostoso, aquela marquinha de nascença, os dentinhos tão pequenininhos, agora veja-o recolhendo latas no lixo para sobreviver, com as roupas esfarrapadas, todo sujinho.

Te fiz chorar? Não? Então deve haver algo errado comigo, pois chorei duas vezes, uma quando ví e outra quando escreví sobre o filho de alguém que recolhia latas para viver.

Brenê

quarta-feira, 21 de maio de 2008

João e José

João* e José* são vizinhos. Certo dia João encontra José na porta de casa. Sorridente, alegre, realmente feliz. João brincalhão, como sempre, não podia deixar passar a oportunidade de brincar com o vizinho.

- E aí vizinho, tá todo sorridente, a noitada foi boa?

- Não é nada João, deixa pra lá…

- Não quer contar como foi com a "patroa", tudo bem!

- Não é isso João, é bobagem…

- Coisa boa não pode ser bobagem. Fala pra mim o que foi José, o que te deixou tão feliz? Também quero um pouco disso!

Nessa hora João sorriu meio sem jeito por ter tentado brincar com o amigo, percebeu que era alguma coisa séria e esperou ansiosamente uma resposta do amigo.

- Sabe João… - Começou José com a cabeça baixa - eu te falei que era bobagem, isso nem deveria ser motivo de tanta alegria, orgulho ou satisfação pra ninguém, mas é uma coisa tão difícil de se conseguir…

- Fala logo o que é José! Interrompeu João já quase em pânico.

- Não é nada não João, é que na segunda-feira eu consegui meu primeiro trabalho com carteira assinada, depois de 16 anos de maioridade…

João engoliu em seco e rumou em direção à sua casa.

Brenê

* Os nomes dos protagonistas foram trocados, para a segurança dos envolvidos e das respectivas carteiras, assinadas ou não.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Contradições…

Saiu na Veja on-line:

Pedaladas em alta.
Empresas e prefeitura investem em ações para incentivar o uso de bicicletas.
Por Branca Nunes16.04.2008
Leo Feltran



Luciene Oliveira, no bicicletário do Shopping Frei Caneca: troca de roupa antes do trabalho.
Moradora do bairro de São Mateus, na Zona Leste, a vendedora Luciene Souza de Oliveira perderia uma hora e meia no trânsito se fosse de carro para o trabalho, no Shopping Frei Caneca.

Caso optasse pelo transporte público, a situação seria ainda pior. Ela passaria duas horas dentro do ônibus. A solução foi pedalar. Há seis anos, Luciene começou a driblar os congestionamentos pilotando uma bicicleta. Faz o trajeto entre sua casa e o shopping em 45 minutos. "Venho com uma roupa mais confortável e me troco assim que chego à loja", conta. "Mesmo quando chove, é só colocar uma capa e levar uma toalhinha na bolsa." Ela faz parte de um grupo estimado em 300 000 paulistanos que diariamente usa a bicicleta como meio de transporte.
Embora os ciclistas não sejam vistos como prioridade quando se discutem soluções para o trânsito – a ampliação das ciclovias não foi sequer incluída entre a série de medidas anunciadas recentemente pelo prefeito Gilberto Kassab para tentar amenizar os horrores do tráfego –, alguns órgãos públicos e principalmente empresas privadas começam a prestar atenção nesse grupo. A seguradora Porto Seguro, por exemplo, inaugurou um sistema de empréstimo inspirado nos projetos Velib, de Paris, e Bicing, de Barcelona. Clientes da companhia podem usar as bicicletas disponíveis em sete estacionamentos da rede Estapar.

"O alcance ainda é pequeno, mas mostra que a bicicleta está deixando de ser apenas um instrumento de lazer", afirma o cicloativista Arturo Alcorta, que assessorou a Porto Seguro na montagem do projeto. Bicicletários foram instalados também em alguns estacionamentos da Estapar. Os segurados pela Porto Seguro desfrutam o benefício gratuitamente. Os demais clientes pagam 2 reais por doze horas. Algumas empresas vêm implantando bicicletários e vestiários para seus funcionários. O publicitário João Guilherme Lacerda gasta vinte minutos para ir de casa, em Perdizes, ao escritório, no Butantã. "Poderia ir de táxi, mas prefiro a bicicleta porque é mais rápida e mais saudável."
Os ciclistas paulistanos dispõem de 19 quilômetros de ciclovias dentro de parques. Nas ruas, ficam apenas 4,5 quilômetros. "Até o fim do ano, vamos inaugurar mais 19,2 quilômetros", diz Laura Ceneviva, coordenadora do Grupo Pró-Ciclista, departamento responsável pelo sistema cicloviário paulistano. Desde 1990, uma lei municipal prevê a instalação de ciclovias em todas as novas ruas da cidade. Não é o que acontece. "A bicicleta é ideal para distâncias inferiores a 5 quilômetros", afirma Eric Fernandes, coordenador do Instituto de Energia e Meio Ambiente. "A partir disso, o carro e o transporte público levariam vantagem, porque são mais rápidos." São Paulo inverteu essa lógica. Por aqui, nos horários de pico, os automóveis atingem a velocidade média de 22 quilômetros por hora. É a mesma velocidade de um ciclista amador.

Cinco dias depois saiu na página inicial do IG, na seção Último segundo:

Em dois anos, somente 20% da meta de ciclovias em São Paulo foi construída.
21/04 - 12:07 - Juliana Simon, do Último Segundo.

SÃO PAULO – Em 2006, a Prefeitura de São Paulo já apontava o incentivo ao uso de bicicletas como uma das medidas para aliviar o trânsito e a poluição causados pelos carros. Em maio daquele ano, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SVMA) divulgou que havia condições “de imediato” para a implantação de 104 km de ciclovias, ciclofaixas e vias de tráfego compartilhado. Até março deste ano, no entanto, somente 23,5 km foram implantados, segundo números da própria secretaria.
Para ciclistas e pedestres, São Paulo está preparada só para carros.
Segundo a assessoria da secretaria, o atraso na implantação das ciclovias se deve, principalmente, ao fato de que a construção “não depende somente da iniciativa da prefeitura, mas também de estudos aprofundados sobre onde as vias podem ser instaladas e da liberação de verbas”.
Em maio de 2006, representantes de seis secretarias, entre elas a de Transporte, Infra-estrutura Urbana e Obras e Meio Ambiente, e integrantes da da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da SPTrans criaram o Grupo Executivo Pró-ciclista.
Na época, a Secretaria do Meio Ambiente informou que dispunha de R$ 2,3 milhões para usar em projetos pró-ciclismo. No primeiro ano foram investidos R$ 700 mil e a secretaria não soube informar quanto foi gasto em 2007.

Até agora, foram instaladas sete ciclovias no Parque do Ibirapuera (5,5 km), Parque Anhanguera (2,7 km), Parque do Carmo (8,2 km), Parque Cemucam (2,6 km), na Avenida Faria Lima (1,3 km), na Avenida Sumaré (1,4 km) e na estrada da Colonia, em Parelheiros (1,8 km). Em 2007, foram instalados mil paraciclos (estacionamentos para bicicletas) nos parques municipais.
Há mais cinco projetos em elaboração. A implantação de ciclovia de 3 km no Parque Linear, no Itaim Paulista; uma ciclovia de 15 km no Butantã prevista para ser entregue em 2010; 3,3 km de ciclovia na antiga Estrada de Perus; 11,5 km de ciclofaixa em Ermelino Matarazzo.
A prefeitura promete 12 km de ciclovia na Radial Leste, a ser entregue até o final do primeiro semestre deste ano. O projeto custa R$ 9 milhões e, segundo a secretaria, os recursos serão repassados ao Metrô, que está executando a obra.

Segundo a secretaria, “quando tudo o que está em desenvolvimento for entregue, São Paulo terá mais de 50 km de ciclovias implantadas”. Metade do que foi prometido em 2006.
 
Ainda no Último segundo:

Para ciclistas e pedestres, São Paulo está preparada só para carros
21/04 - 12:08 - Juliana Simon, do Último Segundo.

SÃO PAULO – Apesar da construção de novas ciclovias e da revitalização de algumas calçadas, as pessoas que trocaram os carros por bicicletas e pelo trajeto a pé afirmam que São Paulo ainda não está preparada para os “transportes alternativos”.
Com 370 mil adeptos, segundo estimativa do Ibope/Nossa São Paulo, o ciclismo aparece como uma das principais opções para fugir dos congestionamentos e da busca por alternativas mais saudáveis e menos poluentes de transporte. No entanto, com 23,5 km de ciclovias implantadas até agora, a cidade está longe do ideal para a prática.
“Se em nosso País houvesse um respeito pela vida não seria necessário ciclovias ou ciclofaixas para que as pessoas pudessem pedalar com sensação de segurança. Como não é a realidade da nossa cidade, sou a favor da construção de vias específicas, isso poderá encorajar muitos motoristas a deixarem seus carros em casa e optar pela bicicleta”, diz André Pasqualini, que percorre, em 40 minutos, 13 km para ir da sua casa, no Campo Limpo, até seu trabalho, na Vila Olímpia.
Para o carioca João Guilherme Lacerda, que mora em São Paulo há quatro meses, “nem mesmo o Rio com mais de 140 km de vias segregadas está preparado para os ciclistas”.
Locais adequados para estacionamento também é outro problema. Willian Cruz, que também é ciclista, acredita que é necessário que o comércio e serviços forneçam infra-estrutura para receber o ciclista. “Um simples local seguro para estacioná-la e com suportes para prendê-la com uma corrente, de preferência com um banheiro por perto para que seja possível trocar de roupa, já resolve o problema do ciclista”, diz.
“São Paulo possui no momento zero km de ciclovias, pela própria definição do Código Brasileiro de Trânsito do que é uma ciclovia. Hoje, temos trajetos que ligam o nada ao lugar nenhum, dentro de parques”, diz Waldomiro Souza.
Para os ciclistas, o que faz mais falta é a impossibilidade de integração da bicicleta com outros meios de transporte. Willian Cruz, também ciclista, afirma que “o ideal é integrar as bicicletas ao fluxo, em vez de segregá-las em ciclovias”. Para ele, isolar os ciclistas do trânsito faz os motoristas acreditarem que as ciclovias são o único local onde elas devem trafegar, “hostilizando e colocando em risco os ciclistas quando estiverem em vias que não dispõe de ciclovia”.

Integração também para pedestres
Eduardo Daros, presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraped), também aponta a integração como principal carência da cidade. Em março, Daros encaminhou ao prefeito Gilberto Kassab, um pedido para que houvesse a restauração do corredor 9 de Julho – Santo Amaro.
“Hoje, é extremamente penoso para os pedestres - proibitivo para os portadores de necessidades especiais - transitar a pé entre as Avenidas 9 de Julho e Paulista, galgando ou descendo rampas íngremes, particularmente em dias chuvosos ou de muito sol”, afirma.
Eduardo cita Curitiba como exemplo de integração. Com os chamados “ônibus metronizados”, com pontos de parada cobertos, a cidade possibilita que o trajeto do pedestre até seu destino seja feito com segurança e com conforto.
"Até atravessar uma rua é difícil por aqui", diz Willian Cruz. Ele usa como exemplo a travessia a pé da Avenida Juscelino Kubitschek. “Dependendo do ponto onde tenta atravessar, você tem que fazer umas quatro travessias para conseguir continuar o seu caminho, ou atravessar metade e andar um ‘pedação’ pela ‘calçadinha’ que fica entre as pistas para poder terminar a travessia”, diz.

“Manchas” de revitalização.
Nos últimos anos, a prefeitura implantou em alguns pontos da cidade projetos de revitalização das calçadas, tanto para ampliá-las, como para a troca do piso. As obras na Avenida Paulista, ainda não concluídas, e na Avenida João Cachoeira, no Itaim Bibi, são alguns dos exemplos.
Para Daros, os projetos são “bem-vindos”, mas “insuficientes”. “Na Paulista temos uma bela calçada, mas nas ruas próximas, como a Augusta, por exemplo, tudo continua igual”, diz. Para ele, o que existe são “manchas de revitalização”, concentradas, principalmente, nas áreas nobres da cidade.
“As gestões ainda não encararam o problema totalmente. Não adianta realizar projetos isolados um dos outros. Deve-se ter, antes de tudo, uma rede de melhorias em calçadas, transporte público e nas vias para carros e bicicletas”, afirma.

Vantagens dos “alternativos”.
Para ciclistas e pedestres as vantagens principais de deixar de usar os carros são os benefícios para a saúde do indivíduo e da cidade, que já sofre com congestionamentos e poluição. “Um ciclista a mais é um carro a menos, ou menos uma pessoa para sobrecarregar os transportes públicos da cidade. Ou seja, além de chegar mais bem disposto ao trabalho, o ciclista não atrapalha a vida de ninguém, seja no espaço limitado das ruas, ou dentro dos ônibus e trens, diz João Lacerda.
André Pasqualini aponta o aspecto de convivência social que se alcança fora dos veículos. “De bicicleta conseguimos conversar com outros ciclistas e até mesmo motoristas, interagimos com a cidade, nos aproximarmos da realidade o que acaba gerando um sentimento de paixão por ela”, diz.
Apesar da falta de “preparo” da cidade e de muitos de seus habitantes para deixar o carro em casa, Waldomiro Souza diz que “pedalar em São Paulo é dar as costas a quem você não confia. Mas sigo pedalando, quixotescamente.”

sábado, 19 de abril de 2008

Pê-u-tê-a quê-u-e pê-a-erre-i-u

Outro dia assistindo ao programa do Jô, vi uma entrevista que me interessou muito, sobre um site que desvenda, desmente, satiriza e mostra a verdade por trás de muitos e-mails que recebemos diariamente. Pois bem assisti a entrevista e tentei entrar no site, como de costume o Brasil todo deveria estar tentando fazer o mesmo que eu, mas eu anotei o endereço e fui dormir.

No dia seguinte consegui entrar no site e comecei a ler todas as coisas que eles tinham por lá, quando me deparo com o texto que coloco abaixo, na íntegra, pois eu acho que todos devem saber disso e como não gosto de receber correntes, e e-mails com coisas que deveríamos saber, coloco o texto aqui para que os interessados leiam e se informem. O nome do site é e-farsas, sintam-se a vontade para entrar e olharem o original se quiser.
Tenham em mente ao ler este texto que, recentemente, vimos noticiado pela grande mídia que os deputados pediram para por em votação o aumento de verbas para os próprios gabinetes quisera eu poder votar meu salário, minha verba de representação, meu auxílio moradia, meu auxílio paletó, meu auxílio combustível, etc, etc, etc…

Abraços
Brenê

PS: Para desvendar o título tente escrever cada letra soletrada separadamente.

Mensagem original que rolava nos e-mails

NOVO CONFISCO…
Achei o e-mail tão absurdo que eu mesmo consultei o site através do link desse e-mail e lá estava o tal projeto. Mesmo assim, achei que poderia ser uma brincadeira de internet. Então, fui direto ao site da Câmara e entrei na opção "Proposições", escolhi o "Tipo" PLP - Projeto de Lei Complementar, coloquei o nome do "nobre" deputado "Nazareno Fonteles" e cliquei em pesquisar.
Infelizmente confirmei a estapafúrdia informação que recebi no e-mail abaixo.
DESCULPEM A INVASÃO, MAS, O ASSUNTO É MUITO SÉRIO…
"Novo Empréstimo Compulsório (por 21 anos) já está na Câmara Federal".
ACHO QUE ESTÁ NA HORA DO POVO BOTAR A BOCA NO TROMBONE E O "PT" PARA CORRER!
Divulguem e protestem.
A notícia abaixo, apesar de ser uma aberração, é verídica.
Vamos repassar para que todos saibam o que os nossos deputados estão analisando.
Amigos, sem dúvida nenhuma o PT abriga muitos loucos.
O texto abaixo é muito pior do que o ex-presidente Fernando Collor fez no passado recente:
- Estão querendo estabelecer uma Valor Máximo para cada família no Brasil gastar por mês, caso seja aprovado.
- Ficará estabelecido pelo governo que, a partir de janeiro de 2005, seus rendimentos mensais que ultrapassarem o valor determinado pelo governo (R$7.600, -/mês) irão para uma conta - como empréstimo compulsório. Uma conta especial de caderneta de poupança, em nome do depositante, denominada Poupança Fraterna, que durante 7 anos serão administrados pelas centrais sindicais e pelos "sem terra", entre outros, e serão devolvido nos 14 anos seguintes, depois dos 7, com "remuneração da metade da poupança atual".
Para quem não entendeu, significa pegar (sim, o termo é esse mesmo) parte do seu dinheiro, administrá-lo mal, e remunerá-lo pior ainda, devolvendo muito menos da metade do total. (Se é que vai devolver, pois um governo que não paga nem ao que foi condenado pela Justiça e que se chama precatório alimentício…). O nome disso é "expropriação social", típica de governos ditatoriais, para atender a "excluídos" produzidos por ele mesmo e por uma casta de exploradores nortistas e nordestinos a quem se habituaram chamar de "coronéis"… Quem sabe se o "nobre" não é filho de um deles e, com dor de consciência, pretende ’socializar’ sua dor?
Que m….; saímos de uma ditadura de direita para cairmos numa de esquerda… Provavelmente, se os "nobres" colegas se derem ao trabalho de analisar o projeto, haverá uma emenda deixando de fora os proventos dos "assíduos" deputados. (Venha a nós, e ao vosso reino nada).
Para conferir, entre no endereço abaixo que mostra como anda a tramitação desse projeto na Câmara (ao abrir, clique na figura que vem logo após os dizeres PLP-137/2004, no início do texto).
A comunização a caminho PARA QUEM PENSA QUE O COMUNISMO MORREU. ESTAMOS ARRISCADOS A DORMIR EM UMA "DEMOCRACIA" E ACORDAR EM PLENA DITADURA COMUNISTA, desde que elegeram o sapo barbudo.
QUEM VIVER, VERÁ!
O malfadado autor desse projeto é o deputado Nazareno Fonteles, que socialisticamente pensa que temos governo para administrar um tipo de fundo desses (ou seria melhor dizer resultado de expropriação, porque se o índice da poupança já é quase um estelionato oficial, imagine metade dessa remuneração).

Nome Civil: JOSÉ NAZARENO CARDEAL FONTELES

Aniversário: 4 / 5
Profissão: Médico
Partido/UF: PT - PI - Titular
Gabinete: 264 - Anexo: III - Telefone:(61) 215-5264 -Fax:(61) 215-2264
Legislaturas: 03/07

Pesquisa realizada por e-farsas

Sabe quando você recebe um e-mail com uma história tão estapafúrdia que nem acredita que possa ser verdadeira? Então, essa é uma delas…
O pior é que esse projeto de lei está mesmo sendo analisado pela Câmara dos Deputados, em Brasília. A história é real!!!
No dia 16 de março de 2004 o nobre deputado Nazareno Fonteles (PT do Piauí) apresentou à Câmara o projeto de lei número 137/2004.

De acordo com o site da Câmara, o estranho projeto estipula que "durante sete anos, haverá um limite máximo de consumo mensal que cada pessoa poderá utilizar para seu sustento e de seus dependentes residentes no País. Este limite será calculado de acordo com a renda per capita nacional mensal calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pelo projeto, a parcela dos rendimentos, que exceder o limite de consumo, será depositada, a título de empréstimo compulsório, em uma conta especial de caderneta de poupança, em nome do depositante, denominada Poupança Fraterna". Ou seja, o deputado - eleito pelo povo e para o povo - ao invés de tentar resolver outros problemas mais "nobres" e urgentes como dar a devida atenção à educação e à alimentação do povo, resolve criar essa tal lei que iria confiscar o dinheiro de todo cidadão.
Parece que já vimos esse filme antes. Onde foi? Nos tempos do presidente Collor? Parece que na época essa atitude de confiscar a grana do povo não deu certo, né não?
Em extenso texto (que pode ser lido na íntegra no site CMI Brasil, o Deputado Federal explica as razões que o levaram a criar a bendita lei complementar. O doutor Fonteles (Sim! Ele é formado!) mostra em seu artigo que pretende com isso tentar acabar com a miséria no Brasil, equilibrando a enorme diferença entre os ricos e os miseráveis. Ele diz também que seu projeto de lei está apoiado no artigo 148 da Constituição Federal:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, b.
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.

No caso, o parlamentar diz que o fim da miséria é uma questão urgente e será resolvida com esse confisco. Ah! O dinheiro que for confiscado será devolvido em até 14 anos…
É claro que o projeto ainda precisa ser votado em várias instâncias e isso precisa ser apreciado pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT). O mais engraçado é que o projeto está com status de "prioridade", como se fosse algo urgente.
Se você quiser acompanhar o andamento das votações, cadastre-se no site da Câmara Federal.

Concluindo

A corrente é verdadeira! Mas tem tudo para não passar na Câmara. Fica apenas uma sugestão aos Deputados: Por que não criam uma lei assim para confiscar os próprios salários? Hein?

Gilmar Henrique Lopes

Sites pesquisados: 
Quatro Cantos Câmara Federal Acompanhe na Câmara
Mídia Independente
Diário MS

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Voltando a ativa?

Por um longo período não achei nenhuma inspiração para continuar a escrever no blog. Me encontro no fundo do poço literário, nem mesmo algumas atitudes do meu pequeno herdeiro me inspiraram a escrever algumas linhas, nem os pedidos (três para ser mais exato) dos amigos e familiares despertaram qualquer tipo de inspiração, aproveito para pedir desculpas aos "pedintes", por não ter nem dado uma resposta digna aos seus pedidos.
Me parece meio injusto eu aqui reclamando que estou no fundo do poço por uma simples questão financeira, enquanto o mundo caminha para uma catástrofe de proporções gigantescas, o clima está cada vez mais descontrolado, mais e mais espécies entram na lista das espécies ameaçadas em extinção, o desmatamento no Brasil, que começou por volta de 1500, nunca sequer reduziu sua marcha, e eu aqui chorando as minhas pitangas porque minha condição financeira está um lixo! Que todas as coisas que eu gostaria de proporcionar para a minha familia, no momento eu não posso proporcionar.
Então vejo como é difícil mudar os hábitos das pessoas, como é difícil fazê-las entender que a "perda de algumas comodidades", na verdade é uma substituição a longo prazo, se perde uma regalia hoje, ganha um planeta mais saudável amanhã. Eu estou sentindo na pele como é difícil abrir mão de alguns tipos de confortos, mesmo que sendo forçado a tanto.
Em compensação eu me pego pensando: que mal faria se pelo menos uma vez por semana as pessoas saissem de casa para trabalhar ao invés de ir de carro, se elas fossem a pé, de bicicleta, de transporte público? Que mal faria se as pessoas ajudassem umas às outras, gratuitamente? Será que o que cansamos de ouvir dos nossos pais, "que o mundo é assim mesmo, que devemos nos acostumar com a vida nos dando pancadas", não pode ser mudado? Será que eu sou assim tão ingênuo? Eu estou tão errado em sonhar com um mundo melhor? Com uma humanidade melhor?

Será que eu devo me render a esse pensamento, enfiar meu rabo entre as pernas e continuar com a vidinha mediocre que me foi destinada? Acho que eu não quero me render, sempre ouvi que eu era um rebelde sem causa, então aí está a minha causa, não posso acreditar que o mundo seja "assim mesmo", não posso me conformar com esse mundo fudido desse jeito, onde o dinheiro paga por qualquer coisa, vale tudo para os mais fortes, não dá mais, tem que mudar ou afundar de vez.
Não sei bem onde este post vai me levar, me parece que quanto mais eu escrevo mais confuso isso fica, mas acho que tenho que "desentalar" isso da minha cabeça pra voltar a (tentar) escrever coisas mais produtivas.
Obrigado a todos que continuam a ler as minhas (mal escritas) linhas, espero voltar com uma freqüência bem maior do que antes.

Brenê