Há algum tempo eu escrevi uma história triste que começava com: “Uma lágrima escorreu pelo meu rosto…”. Eu pretendia começar esta postagem exatamente assim, mas isto não será possível, pois não foi uma lágrima que escorreu, foram várias, e foram de alegria.
Todos sabem sobre as desgraças que cairam sobre Santa Catarina, pois bem, sabem também que em todo lugar estão pedindo doações para as pessoas que perderam tudo que possuiam por lá. Nada de mais para pessoas que tem plena consciência e entendimento de mundo, muitos de vocês podem pensar assim, eu também pensava.
Com a proximidade do natal, com a perspectiva de que meu “pequeno” ganhe muitos brinquedos e como o quarto dele é pequeno, resolvemos ajudar a alegrar o natal de algumas crianças que perderam tudo e em contrapartida “aliviar” o quarto do menino.
Começamos a conversar com ele sobre um lugar onde havia chovido muito e que tinha entrado água nas casas das pessoas e que alguns meninos tinham perdido seus brinquedos, perguntamos se poderíamos dar os brinquedos que ele não brinca mais para esses meninos. A primeira resposta foi: “Não, é meu”. Decidimos mostrar a ele o lugar do qual falavamos e fomos procurar na internet vídeos de reportagens sobre o ocorrido em Santa Catarina. Em segundos apareceu uma lista com muitos vídeos, escolhi um e abri para mostrar a ele as casas cheias de água.
Quero fazer um parêntese para me desculpar pela escolha do vídeo, talvez não tenha sido a melhor escolha, era uma reportagem sobre uma senhora que perdeu tudo e quase todos os parentes durante os desbarrancamentos, uma história triste que talvez ainda seja muito complexa para meu menino entender, mas durante a reportagem várias imagens de casas semi-submersas foram mostradas, as quais mostramos como sendo de “meninos que perderam seus brinquedos”. Após o final do vídeo, ele pulou do meu colo, correu para seu quarto, pegou um brinquedo, trouxe para a sala e disse: “Pode dar um, né?”
No dia seguinte fui para o trabalho e minha esposa e meu filho ficaram em casa separando brinquedos para doar. Ao chegar em casa a noite, me mostraram que haviam separado uma sacola de brinquedos e um bicho de pelúcia quase do tamanho do meu filho, que ele adora.
Liguei para 193 (telefone de emergência dos bombeiros, anote para caso precise algum dia) para saber como deviamos proceder para doar o que haviam separado. Fui informado que bastaria entregar as doações em qualquer base do corpo de bombeiros que as doações chegariam a Santa Catarina, há um corpo de bombeiros perto da minha casa, foi para onde decidimos levar os brinquedos.
Pegamos a sacola e o bicho de pelúcia (que meu filho mesmo carregou) e fomos a pé para a base dos bombeiros. Ao chegarmos, fomos prontamente atendidos por um bombeiro que estava de serviço, identificamos a intensão de doar os brinquedos. O bombeiro nos agradeceu e recolheu o que haviamos levado, caminhando por entre as pilhas de doações acumuladas no chão da base, colocou os brinquedos na pilha designada para os brinquedos.
Meu filho acompanhou cada passo do bombeiro, olhando onde ele estava levando “seus” brinquedos que ele derá para o “menino”, andava de um lado para outro melhorando o ponto de vista e o campo de visão, para não perder o bombeiro de vista, vigiando-o, para saber o que o bombeiro faria com os brinquedos.
Quando o bombeiro retornou para perto de nós, pedi ao meu filho que dissesse o que era para ser feito com os brinquedos que haviamos levado, ao que , olhando para o bombeiro disse: “É para dar pro menino que não tem, que a casa encheu de água” (ou algo com esse conteúdo). Então meu filho olha para mim e com a cara mais sorridente me pergunta:
- Papai! Agora o “menino” vai ficar feliz?
Então com as lágrimas teimosas escorrendo pelo meu rosto eu respondi:
- Vai sim filhão, vai sim…
E dei lhe um grande e apertado abraço.
Brenê
Todos sabem sobre as desgraças que cairam sobre Santa Catarina, pois bem, sabem também que em todo lugar estão pedindo doações para as pessoas que perderam tudo que possuiam por lá. Nada de mais para pessoas que tem plena consciência e entendimento de mundo, muitos de vocês podem pensar assim, eu também pensava.
Com a proximidade do natal, com a perspectiva de que meu “pequeno” ganhe muitos brinquedos e como o quarto dele é pequeno, resolvemos ajudar a alegrar o natal de algumas crianças que perderam tudo e em contrapartida “aliviar” o quarto do menino.
Começamos a conversar com ele sobre um lugar onde havia chovido muito e que tinha entrado água nas casas das pessoas e que alguns meninos tinham perdido seus brinquedos, perguntamos se poderíamos dar os brinquedos que ele não brinca mais para esses meninos. A primeira resposta foi: “Não, é meu”. Decidimos mostrar a ele o lugar do qual falavamos e fomos procurar na internet vídeos de reportagens sobre o ocorrido em Santa Catarina. Em segundos apareceu uma lista com muitos vídeos, escolhi um e abri para mostrar a ele as casas cheias de água.
Quero fazer um parêntese para me desculpar pela escolha do vídeo, talvez não tenha sido a melhor escolha, era uma reportagem sobre uma senhora que perdeu tudo e quase todos os parentes durante os desbarrancamentos, uma história triste que talvez ainda seja muito complexa para meu menino entender, mas durante a reportagem várias imagens de casas semi-submersas foram mostradas, as quais mostramos como sendo de “meninos que perderam seus brinquedos”. Após o final do vídeo, ele pulou do meu colo, correu para seu quarto, pegou um brinquedo, trouxe para a sala e disse: “Pode dar um, né?”
No dia seguinte fui para o trabalho e minha esposa e meu filho ficaram em casa separando brinquedos para doar. Ao chegar em casa a noite, me mostraram que haviam separado uma sacola de brinquedos e um bicho de pelúcia quase do tamanho do meu filho, que ele adora.
Liguei para 193 (telefone de emergência dos bombeiros, anote para caso precise algum dia) para saber como deviamos proceder para doar o que haviam separado. Fui informado que bastaria entregar as doações em qualquer base do corpo de bombeiros que as doações chegariam a Santa Catarina, há um corpo de bombeiros perto da minha casa, foi para onde decidimos levar os brinquedos.
Pegamos a sacola e o bicho de pelúcia (que meu filho mesmo carregou) e fomos a pé para a base dos bombeiros. Ao chegarmos, fomos prontamente atendidos por um bombeiro que estava de serviço, identificamos a intensão de doar os brinquedos. O bombeiro nos agradeceu e recolheu o que haviamos levado, caminhando por entre as pilhas de doações acumuladas no chão da base, colocou os brinquedos na pilha designada para os brinquedos.
Meu filho acompanhou cada passo do bombeiro, olhando onde ele estava levando “seus” brinquedos que ele derá para o “menino”, andava de um lado para outro melhorando o ponto de vista e o campo de visão, para não perder o bombeiro de vista, vigiando-o, para saber o que o bombeiro faria com os brinquedos.
Quando o bombeiro retornou para perto de nós, pedi ao meu filho que dissesse o que era para ser feito com os brinquedos que haviamos levado, ao que , olhando para o bombeiro disse: “É para dar pro menino que não tem, que a casa encheu de água” (ou algo com esse conteúdo). Então meu filho olha para mim e com a cara mais sorridente me pergunta:
- Papai! Agora o “menino” vai ficar feliz?
Então com as lágrimas teimosas escorrendo pelo meu rosto eu respondi:
- Vai sim filhão, vai sim…
E dei lhe um grande e apertado abraço.
Brenê