Somos um país de malabaristas. Não digo isso no bom sentido. Sim há um bom sentido em ser uma nação de malabaristas. Seríamos aquela nação que faz “das tripas coração” para que tudo aconteça certinho, dentro dos prazos, nos “termos da lei”, mas como disse antes, esse não é o nosso caso.
O nosso caso é ser malandro, esperto, levar vantagem, só obedecer a “lei de Gerson”, isso é o que passamos aos nossos filhos e se não passamos nós mesmos, sempre haverá alguém que se encarregará de fazê-lo. Bom, vamos voltar ao que interessa.
Todos que me conhecem sabem que até a bem pouco tempo atrás eu ia para todo lado da nossa cidade de bicicleta. As coisas mudaram um pouco, e então eu sou mais um, dos que se digladiam, para entrar no metrô lotado; que passa quase 4 horas diárias chacoalhando num ônibus lotado para ir e vir nesta cidade louca.
Nestas “idas e vindas” diárias, comecei a observar algumas coisas que teimam em se repetir e pior a aumentar de número, são os “meninos malabaristas” da cidade de São Paulo. Eles estão em cada farol do meu trajeto. Jogam bolinhas, pedras, varas, tochas, latas e tudo mais que puderem encontrar, com uma maestria profissional, fazem isso para arranjar alguns trocados para sobreviver, para fugir dos pais que abusam deles, para se manterem fora de casa, para conseguir drogas, enfim pelos mais variados motivos.
Vamos imaginar, por apenas um segundo, os produtos que a China, tão em evidência hoje em dia por seus produtos de baixa qualidade, irá exportar dentro de alguns anos. Quanto tempo leva o aprendizado para melhoria dos produtos?
Vamos imaginar qual tipo de avanço tecnológico nos apresentarão os suecos, finlandeses, alemães. Quanto tempo leva a descoberta de novas técnicas, de novos caminhos para achar novas respostas a velhas perguntas?
Vamos imaginar a quantidade de novos estúdios, atores e filmes que os americanos irão lançar e licenciar para o resto do mundo? Quantas marcas e patentes irão requerer neste mesmo período?
Agora vamos imaginar quantos malabaristas serão necessários para o mundo? Qual a necessidade real em se basear todo o ganho futuro de uma nação em treinamento e desenvolvimento de malabaristas?
Está na hora de pensarmos nossos valores e nossas medidas, pois como já dizia um “velho filósofo”, “o que você faz aos 14, 15, 16 anos, certamente vai repetir aos 30 anos de idade”. E como todo investimento tem seu retorno, pensemos:
- Milhões e milhões são “gastos” na educação nos países desenvolvidos, com o retorno de novas tecnologias, novas descobertas, e bilhões em empregos diretos e indiretos.
- Milhões e milhões são “gastos” com a industrialização em países como a China, Índia, com o retorno de bilhões no PIB destes países.
- Milhões e milhões são “gastos” com a indústria cinematográfica, com o retorno de um planeta inteiro pagando “royalties” a ela.
- Nada é “gasto” para criar malabaristas, então como já dizia aquela propaganda famosa, a criação de uma nação de malabaristas “não tem preço”.
Brenê