sexta-feira, 11 de maio de 2007

10 razões para pedalar

Neste posts eu vou deixar esse texto eu achei na internet e achei fantástico, ele traduz quase tudo o que eu penso sobre pedalar, por isso pedi ao autor que me deixasse postar aqui o seu texto.

Deixo aqui também o link do texto original, se você quiser dar uma olhada no site do autor original:
http://gropius.org/2006/05/03/pedalar/.

Se você, caro leitor, tiver mais razões para pedalar ou, mesmo, razões para não pedalar, por favor, deixe um comentário.

Enquanto isso, vou pedalar e já volto.
Brenê

Sinto-me um pouco estúpido por compor uma lista de razões para fazer algo que é indiscutível e notadamente bom. Mas a obviedade normalmente é a primeira coisa a ser esquecida, justamente por ser óbvia e fácil demais. Quem, por exemplo, pensaria em beber água para matar a sede? E em comprar três bananas, que juntas custam 40 ou 50 centavos, em vez de espantar a fome com um petisco gorduroso que custa 3 ou 4 reais? (os números são necessários) A simplicidade foi deixada de lado, por isso é necessário falar de coisas óbvias. É a ausência delas que torna o mundo pior. Uma dessas coisas simples e óbvias é a bicicleta. Todos nós, em algum momento da vida, fomos ciclistas. Seja na infância, quando queríamos ter uma bicicleta nova para fazer frente às bicicletas dos amiguinhos, seja na juventude, para exercitar o corpo ou para ir até ali comprar pão fresco. Embora o Brasil não tenha a mesma tradição ciclística de países como Holanda e Japão, todo lar tem pelo menos uma bicicleta e toda cidade pequena ou média tem uma proporção razoável de cidadãos que usam a bicicleta como meio de transporte. Esta seria a primeira razão da nossa lista.

1) Transporte: de bicicleta pode-se ir ao trabalho, à escola, às compras, enfim, pode-se fazer sobre duas rodas praticamente tudo que é feito com carro ou transporte público. A tecnologia tornou as bicicletas mais leves, facilitando a vida daqueles que levam a vida sobre duas rodas. O filme “Dança comigo?” (Japão, 1998) mostra como a bicicleta faz parte do dia-a-dia dos japoneses; lá a eficiência dos transportes públicos, a construção de estacionamentos para bicicletas próximos das estações de metrô e a tradição fazem com que a bicicleta seja o meio de transporte mais utilizado naquele país — dos 8 aos 80 anos.

2) Saúde: a modernização da vida significou economia de energia muscular. Cada vez mais o trabalho é realizado diante de monitores e mesas, onde o esforço físico só é necessário para apertar botões. Não há movimentação efetiva e cada vez é menor o número de músculos necessários para se levar uma vida normal. Sem exagero. Pedalar significa movimentar-se, transpirar, utilizar os músculos do corpo, acelerar a circulação sangüínea e a renovação de fluidos. Numa época em que comerciais de TV anunciam métodos milagrosos (e caros) para emagrecer, pedalar pode ser uma solução fácil, rápida e barata. Exercitar-se enquanto vamos ao trabalho ou à escola significa resgatar uma pluralidade que era comum para o homem de antigamente, acostumado a reunir o trabalho intelectual e físico numa única atividade. Pedalar significa dispensar a necessidade de atividades físicas que compensem a ausência de atividades musculares típica da vida moderna.

3) Segurança: tomada isoladamente, a bicicleta é um meio de transporte muito mais seguro do que seus similares motorizados. A velocidade máxima depende do preparo físico do ciclista, o que conduz a algo em torno de 30 ou 40 km/h. É o suficiente para se deslocar com rapidez de um lugar a outro (lembremos que num dia típico paulistano, a velocidade média dos veículos raramente ultrapassa os 25km/h) e insuficiente para um ciclista se arrebentar mortalmente num acidente. É claro que a vida de um ciclista numa cidade grande é tão arriscada quanto a de qualquer motoboy, mas isso se deve mais às condições do trânsito numa grande cidade do que a uma deficiência particular da bicicleta. Reservando espaços especiais para a bicicleta — ciclovias — seu uso torna-se bastante seguro e eficiente.

4) Igualdade: pelo baixo custo das bicicletas, pelo fato de a velocidade depender mormente do preparo físico do ciclista e pelo fato de a posse de uma bicicleta ser algo comum até para crianças, o ciclismo não inspira a mesma desigualdade que observamos entre motoristas de carros e motos. Não há notícias de rachas entre ciclistas, tampouco a notícia de ciclista dirigindo embriagado ou ostentando sua bicicleta como quem aumenta o som de seu carro novo. Não há quadrilhas especializadas no roubo e no desmonte de bicicletas, tampouco um crime suficientemente organizado e interessado nisso. Justamente porque qualquer pessoa pode ter uma bicicleta e, assim, ir e vir como bem quiser. Essa igualdade é preciosa e deveria ser mais respeitada por aqueles que desenham as cidades. O urbanismo, ao privilegiar grandes obras viárias, assume que a desigualdade é uma regra e que os benefícios das reformas urbanas só privilegiarão aqueles que têm carros, o que em geral exclui pedestres e ciclistas.

5) Interação: a velocidade de carros e motos distancia os motoristas e passageiros do mundo que os rodeia. Interromper a viagem para um descanso ou um gole d’água é quase tão comum para o ciclista quanto raro para o motorista. Apreciar a paisagem, mesmo quando pedalamos para trabalhar, é algo comum e fácil, e a presença constante do ciclista estimularia o embelezamento das cidades. Não sei se, por exemplo, a Marginal do Tietê é desagradável porque não tem ciclistas ou não tem ciclistas porque é desagradável. O fato é que a presença do ciclista certamente estimularia a renovação daquele lugar e, ao mesmo tempo, dependeria dessa ação. A construção de uma ciclovia num lugar desses exigiria que se construísse, também, uma estrutura de apoio ao ciclista, como pontos de parada, bem como sombra, pavimentação e vegetação adequadas. Tais coisas tornam qualquer cidade mais bonita e socialmente rica.

6) Custo: diante dos cinco pontos anteriores, pode-se perceber que o custo individual de uma bicicleta e o custo de um sistema de transporte que nela se baseie são muito baixo. Construir uma ciclovia é infinitamente mais barato do que construir uma avenida, começando pelo custo de pavimentação e indo até os custos de manutenção. Uma boa bicicleta pode ser comprada por 500 reais; um bom carro não sai por menos de 15 mil reais. O custo mensal de um carro facilmente ultrapassa os 100 reais, entre combustível, limpeza e reparos eventuais; o custo de conservação de uma bicicleta é praticamente nulo. Bicicleta não paga IPVA, não exige CNH, tampouco a submissão a um sistema mafioso de auto-escolas, concessionárias de veículos, distribuidoras de combustível, polícias rodoviárias, oficinas mecânicas, multas etc. Seja numa escala urbana, seja numa escala pessoal, a bicicleta é infinitamente mais barata do que qualquer carro ou moto.

7) Satisfação pessoal: livre do stress de engarrafamentos, habituado a exercitar-se fisicamente enquanto vai ao trabalho ou à escola e com menos gasto mensal, o indivíduo torna-se melhor em diversos aspectos. Raramente um ciclista cansado ao fim do dia encontrará fôlego para discutir em casa, terá problemas de saúde por causa do sedentarismo que atinge a maioria da população ou se verá contando moedas para comprar gasolina, preocupado com a alta mundial do petróleo. É simples perceber os benefícios que um indivíduo desses pode trazer para uma sociedade.

Meio ambiente: bicicletas não poluem, não exigem grandes áreas de estacionamento ou avenidas largas, não precisam alterar significativamente o desenho de um lugar para que possam se deslocar com liberdade e tampouco consomem litros de água para serem lavadas; boas bicicletas aceitam quase todo tipo de terreno e são pequenas o suficiente para circular em ruas medievais ou em trilhas no meio do mato. O ciclista, por não enxergar a paisagem através de uma janela de vidro, tem a chance de perceber melhor o ambiente em que ele circula, o que o torna potencialmente mais consciente em relação às suas responsabilidades neste mundo (vide também o item 5).

9) Cicloturismo: assim como é possível utilizar a bicicleta diariamente em atividades simples, é possível também viajar de bicicleta. Embora o preparo para uma viagem dessas seja diferente do simples deslocamento para o trabalho — a começar pelos equipamentos e pelo preparo físico – cresce a cada ano o número de pessoas que optam por esse tipo de turismo, deixando o carro em casa e aproveitando os dias de folga sobre uma bicicleta. Certamente é um turismo incomum, pois neste caso o caminho é tão ou mais importante do que o destino. O cicloturismo reúne todas as vantagens mencionadas anteriormente somadas à possibilidade de aproveitar e conhecer lugares de uma forma diferente, sem o frenesi automático dos grandes êxodos metropolitanos nos feriados. Imagine, por exemplo, como seria uma viagem para o litoral feita sobre duas rodas, sem preocupações com pedágios, dinheiro para combustível, estradas engarrafadas, documentação do veículo e do motorista, check-ups e outras coisas do gênero.

10) Manutenção: não apenas pelo custo, já mencionado no item 6, mas também pela facilidade e pela simplicidade dos mecanismos, quase todo ciclista sabe consertar e regular sua própria bicicleta. Nenhum defeito é tão grave que exija semanas de funilaria, dias de regulagem e dinheiro na mesma proporção. É muito mais fácil e barato tentar, errar e acertar numa bicicleta do que num motor de carro. Trocar um pneu de bicicleta é tarefa simples e leve, mesmo para a mais delicada das damas. Limpá-la não gasta litros de água (item 8), tampouco exige que o ciclista passe horas buscando a sintonia fina de um motor. Exige, sim, cuidados com o próprio corpo.

Christian Rocha

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Stephen Hawking

Eu estava na casa da minha mãe outro dia, fui lá almoçar ou jantar, estava sentado no sofá esperando "sair" a comida lendo a Veja, quando me deparei com a seguinte frase:

"Nós estamos à beira de uma segunda era nuclear e próximos de um período de mudanças climáticas sem precedentes. Os cientistas têm, mais uma vez, a responsabilidade de informar o público e aconselhar as autoridades mundiais sobre o risco iminente à humanidade."
Stephen Hawking

Como alguns de vocês sabem, eu sou biólogo, tenho feito pesquisa por grande parte da minha vida profissional, tudo bem que eu ando meio desempregado no momento, mas fazer o quê? Moramos no Brasil, eu e mais alguns milhares de pessoas estamos meio desempregados, mas isso não vem ao caso. O que importa é que essa frase me chamou atenção pelo simples fato de expor uma realidade inexistente ou amplamente ignorada no nosso país, eu explico.

Não sei qual é a realidade do senhor Stephen Hawking, ganhador de prêmios Nobel, grande físico da nossa geração, talvez uma das mentes mais brilhantes nessa área, quem sou eu pra dizer alguma coisa contra o que essa mente brilhante tem a dizer, mas por 10 anos mais ou menos, trabalhei e estudei com pesquisadores que trabalhavam, estudavam, "respiravam" doenças como: Dengue, Febre Amarela, Leishmaniose, e todos os anos eu escutava-os predizendo:

- "Esse ano haverá epidemia de Dengue em ‘Lugar X’, ‘Município Y’… Se as vigilâncias desses locais não se prepararem, o negócio vai ser feio."

E todo ano o que eu lia nos jornais:

- "Dengue faz outra vítima em ‘Lugar X, ‘Município Y’."

Desde que eu entrei na faculdade (só pra dar uma noção de tempo, eu entrei na faculdade em julho de 1994) escutava meus professores falando sobre as destruições que os seres humanos causam ao meio ambiente, de como isso afeta e afetaria o clima do nosso planeta, de como espécies sucumbiram perante essa imensa destruição causada pelos "seres mais inteligentes do planeta".Sempre lia nos jornais que o efeito estufa estava modificando o clima da Terra, e isso faz mais de 10 anos.

Sobre armas nucleares então eu nem me lembro de quanto tempo elas fazem parte das pautas jornalísticas, mas sei que o assunto é sempre o mesmo:

"País X faz testes nucleares", vazamento em usina em país Y mata um sem número de pessoas", então senhor Hawking, eu acho que no Brasil, os cientistas têm cumprido a sua função de informar a população e aconselhar as autoridades sobre os riscos iminentes à humanidade.

Nós já sabemos o que temos que fazer, só gostaríamos de ter o espaço devido, o reconhecimento devido e as condições necessárias para fazer o trabalho para o qual estudamos e dedicamos grande parte das nossas vidas e mesmo sem ter o espaço e o reconhecimento, nós já fazemos a nossa parte, há pelo menos 13 anos. Mente brilhante, pensamento redundante.

Obrigado
Brenê