“Bacalhau holandês”. Era o que se lia na lateral da caixa arrastada pela rua. Ao longe se via a pequena velocidade e a grande dificuldade com que a caixa era conduzida. Quem olhava deduzia que era de grande peso. O semblante sofrido e o grande esforço realizado pelo homem confirmavam tal dedução.
O ônibus se aproximava a grande velocidade do conjunto “homem-caixa”. O motorista resmunga algo incompreensível. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça para ir mais rápido para a calçada. O cobrador excomunga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça ao máximo para tirar a caixa da rua. O motorista xinga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O cobrador esbraveja palavrões. O homem-caixa chorando num esforço sobrehumano se aproxima do meio fio. Os passageiros dormem. O motorista buzina e xinga mais uma vez o homem-caixa, para tirá-lo da frente do ônibus. Os passageiros dormem.
Então num último esforço desesperado o homem-caixa se curva sobre a caixa, erguendo-a alguns milímetros do solo e a arremessa o mais longe que suas forças permitem em cima da calçada, e por alguns milímetros apenas, o ônibus não atropela o homem-caixa.
O motorista e o cobrador proferem, aos berros, palavrões que são encobertos pela buzina ininterrupta do ônibus, acompanhados de fortes solavancos do ônibus, advindos de uma última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa (sim, eu disse: “…última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa…”), com grande estardalhaço e barulho nos distanciamos do homem-caixa, que chora e soluça de desespero pelo terror que passou fugindo de um ônibus “desgovernado”. Os passageiros já não dormem mais.
Se você já andou de ônibus na cidade de São Paulo, pode concluir sozinho se esta história é verídica ou não, mas por via das dúvidas, na próxima vez que estiver atravessando a rua e ouvir uma buzina de um ônibus, não pense duas vezes, largue a sua “caixa” e salve-se no abrigo seguro de uma calçada.
O ônibus se aproximava a grande velocidade do conjunto “homem-caixa”. O motorista resmunga algo incompreensível. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça para ir mais rápido para a calçada. O cobrador excomunga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O homem-caixa se esforça ao máximo para tirar a caixa da rua. O motorista xinga o homem-caixa. Os passageiros dormem. O cobrador esbraveja palavrões. O homem-caixa chorando num esforço sobrehumano se aproxima do meio fio. Os passageiros dormem. O motorista buzina e xinga mais uma vez o homem-caixa, para tirá-lo da frente do ônibus. Os passageiros dormem.
Então num último esforço desesperado o homem-caixa se curva sobre a caixa, erguendo-a alguns milímetros do solo e a arremessa o mais longe que suas forças permitem em cima da calçada, e por alguns milímetros apenas, o ônibus não atropela o homem-caixa.
O motorista e o cobrador proferem, aos berros, palavrões que são encobertos pela buzina ininterrupta do ônibus, acompanhados de fortes solavancos do ônibus, advindos de uma última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa (sim, eu disse: “…última tentativa desesperada do motorista em atropelar o homem-caixa…”), com grande estardalhaço e barulho nos distanciamos do homem-caixa, que chora e soluça de desespero pelo terror que passou fugindo de um ônibus “desgovernado”. Os passageiros já não dormem mais.
Se você já andou de ônibus na cidade de São Paulo, pode concluir sozinho se esta história é verídica ou não, mas por via das dúvidas, na próxima vez que estiver atravessando a rua e ouvir uma buzina de um ônibus, não pense duas vezes, largue a sua “caixa” e salve-se no abrigo seguro de uma calçada.
Brenê