sábado, 28 de junho de 2008

Pai…

Todo mundo sabe que as palavras proferidas podem cortar como uma espada, mas poucos sabem que as não proferidas cortam duas vezes mais, uma vez em quem não disse e outra vez em quem não ouviu. Sendo assim, aqui vão as minhas, mas vão escritas mesmo que é para durarem para sempre.

Pai saiba com toda certeza do mundo que eu tenho muito orgulho de você. Eu sei de tudo (ou quase tudo) o que você abriu mão ou assumiu, para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje, não só eu, mas meu irmão também.

Agora eu entendo algumas coisas que você me ensinava, pretendo um dia entender todas elas. Espero um dia conseguir ser tão PAI quanto você é para nós.

Lembro quando nós quatro íamos para o quintal de Itu e construíamos móveis para a casa. Como me ensinava a ter paciência para executar algumas tarefas. Na época eu não dei o devido valor, acho que nunca damos, só fui perceber como esses momentos foram importantes para a formação do meu caráter, do meu modo de pensar e de agir, acho que até mesmo com a minha implicância com o mundo do modo que é.

Nunca serei capaz de agradecer o suficiente pelas coisas que você fez por mim e meu irmão, então o mínimo que eu posso fazer é deixar registrado o que você fez e tentar plantar a mesma semente na próxima geração. Espero que você leia estas linhas um dia.

Obrigado pai.

Brenê

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pensamento

A carinha sorridente mostra a inocência. O modo de andar descontraído mostra a perfeição do “não saber”. Quando fala imitando nossos gestos, apresenta a incrível inteligência que tem. Imitando gestos expõe o poder de observação que possui.

O aprendizado rápido, com associações malucas, invenções misturadas com fatos reais, a indiferença sobre assuntos “sérios” associadas a uma visão de mundo única, o transformam em um ser humano único e especial.

O brilho nos olhos e a gargalhada “fácil” que dá com as coisas mais “mundanas”, te faz imaginar o que se passa naquela cabecinha.

Sabe do que eu estou falando? Não? Então pense na sua infância, tudo o que puder lembrar. Agora imagine seu pai assistindo a tudo isso. É o que eu estou fazendo agora, assistindo uma infância em desenvolvimento.

Brenê

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Quem trabalha para o demônio?

Jovens cabeludos gritam palavras demoníacas enquanto jogam garrafas de bebida vazias nas ruas escuras da cidade, prejuízo de dois salários mínimos, referente ao pagamento de dois garis para limpar a sujeira e alguns milhares de neurônios nas cabeças. Todos são presos em menos de duas horas.

Três jovens tirando “rachas” em avenidas da cidade perdem o controle dos veículos e colidem entre si. Ao colidirem acertam em cheio um outro veículo que transitava, onde uma família de três pessoas voltava para casa, morreram todos no local. Outro carro dos jovens, desgovernado, atropela vinte pessoas em um ponto de ônibus. Os três jovens sobrevivem com arranhões superficiais, graças aos “airbags” de última geração que equipavam os veículos. Prejuízo de sessenta mil reais para cada jovem e vinte e três pessoas a menos no mundo.

Um representante comercial de uma empresa de químicos, tentando aumentar a própria margem de lucro, suborna um funcionário “estatal” para retirar o dinheiro das merendas das creches e escolas públicas e “engordar” as notas fiscais com valores excedentes para dividirem entre si. Prejuízo para vinte mil crianças que passam a ter como merenda água e bolacha de água e sal, além de milhares de reais gastos com saúde, combate a fome, desnutrição, etc.

Um funcionário do alto escalão se deixa subornar e desvia dinheiro destinado às escolas públicas. Prejuízo de milhões de reais para os cofres públicos, e a criação de uma nova geração de crianças e jovens que já tem as oportunidades encolhidas, alvos fáceis para os aliciadores, traficantes, etc.

Empresas constroem edifícios com materiais de “segunda”, gerando desabamentos e mortes. Prejuízo para milhares de vidas, anos de sofrimentos para os sobreviventes e milhares de reais em processos que se arrastam por décadas.

Empresas, que buscam baratear os custos de produção, procuram países com “mão de obra” menos qualificada e abundante para instalar suas linhas de produção. Prejuízo de alguns milhares de trabalhadores de baixa renda sendo explorados e “mortos pelo trabalho”, milhares de crianças tiradas das escolas e inseridas no mercado de trabalho e o surgimento de locais onde se pratica o trabalho escravo e exploração de imigrantes.

O presidente de um país de futuro… Bom pelo menos os jovens adoradores do demônio foram todos presos…

Brenê