sábado, 24 de maio de 2008

Não é saudosismo…

Visitando a minha mãe mês passado, durante um café da manhã, eu vi sobre a mesa uma faca com a inscrição “VASP”.
Minha mãe trabalhou na VASP por um tempo, não sei quanto tempo foi, mas foi o suficiente para que ela ganhasse da empresa passagens para levar nossa família para uma viagem com destino a escolher, dentro do território brasileiro.
Depois de uma conversa com meu pai, eles decidiram que iríamos para Maceió. Marcada a data, arrumamos as bagagens e fomos.
Foi a nossa primeira viagem de avião, dos meus pais inclusive.
Não me lembro da viagem propriamente dita, mas chutando posso dizer que provavelmente ou meu irmão e eu brigamos para sentar na janela ou sentamos cada um em uma janela, pois meus pais deram um jeito disso ocorrer.
Uma coisa que me lembro muito claramente é a praia, a água do mar era cheia de plantas aquáticas (algas), coisa que na época achei muito ruim, mal sabia eu, que um dia iria ter esperanças de que todas as praias fossem assim, vivas!
Outra coisa que me lembro bem é de estarmos em família, passeando, e que a cidade era muito quente, tão quente que o asfalto da rua que separava o hotel da areia da praia, chegava a derreter durante o dia.
A essa altura do texto, você deve estar pensando, o que aconteceu com a faca? Bom eu digo, não me lembro exatamente como ela foi parar na casa da minha mãe, provavelmente eu ou meu irmão, ou os dois juntos arranjamos um “souvenir” no vôo de volta para casa (se pegássemos no vôo de ida e meus pais descobrissem nos fariam devolver no vôo de volta).

Esse “souvenir” fez efeito mais de dez anos depois, graças a um café da manhã, onde usamos a faca “arranjada” no avião, e por fim acabei me lembrando dessa viagem que fez parte da minha infância. Nos dias de hoje o “souvenir” teria durado no máximo dez minutos durante a refeição do vôo, onde a faca descartável provavelmente quebraria ao cortar gelatina.
Como eu disse antes não é saudosismo, é falta de qualidade mesmo!

Brenê

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Lágrimas

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto ao ver tal cena. Tão assombrosa que foi, não consegui parar de olhar. A arrogância das pessoas que passavam e faziam cara feia, a indiferença de alguns, o nojo de outras.

Você deve estar imaginando, o que poderia ser tão horrendo que valesse o trabalho de escrever essas linhas? Porque tal coisa deveria ficar marcada em algum lugar, para ser lida e pensada por outras pessoas? Porque deveríamos nos importar com tal cena? O que podemos fazer para que ela nunca mais ocorra?

Então imagine seu filho com 3 anos de idade (se você não tem filho, imagine como ele será com 3 anos de idade), veja cada mecha de cabelo, as orelhinhas pequeninas, os olhinhos que brilham quando você chega em casa, os dedinhos das mãos e dos pés que ele sempre pede que você "morde bincando", as perninhas tortinhas, o jeito engraçadinho dele correr pra te dar um abraço gostoso, aquela marquinha de nascença, os dentinhos tão pequenininhos, agora veja-o recolhendo latas no lixo para sobreviver, com as roupas esfarrapadas, todo sujinho.

Te fiz chorar? Não? Então deve haver algo errado comigo, pois chorei duas vezes, uma quando ví e outra quando escreví sobre o filho de alguém que recolhia latas para viver.

Brenê

quarta-feira, 21 de maio de 2008

João e José

João* e José* são vizinhos. Certo dia João encontra José na porta de casa. Sorridente, alegre, realmente feliz. João brincalhão, como sempre, não podia deixar passar a oportunidade de brincar com o vizinho.

- E aí vizinho, tá todo sorridente, a noitada foi boa?

- Não é nada João, deixa pra lá…

- Não quer contar como foi com a "patroa", tudo bem!

- Não é isso João, é bobagem…

- Coisa boa não pode ser bobagem. Fala pra mim o que foi José, o que te deixou tão feliz? Também quero um pouco disso!

Nessa hora João sorriu meio sem jeito por ter tentado brincar com o amigo, percebeu que era alguma coisa séria e esperou ansiosamente uma resposta do amigo.

- Sabe João… - Começou José com a cabeça baixa - eu te falei que era bobagem, isso nem deveria ser motivo de tanta alegria, orgulho ou satisfação pra ninguém, mas é uma coisa tão difícil de se conseguir…

- Fala logo o que é José! Interrompeu João já quase em pânico.

- Não é nada não João, é que na segunda-feira eu consegui meu primeiro trabalho com carteira assinada, depois de 16 anos de maioridade…

João engoliu em seco e rumou em direção à sua casa.

Brenê

* Os nomes dos protagonistas foram trocados, para a segurança dos envolvidos e das respectivas carteiras, assinadas ou não.